Andei assim meio refugiada,
Destas armadilhas que a vida traça,
Perdi a fala, sem perder a linha.
Mas entendi o que extravasa.
Cada solidão viveu minh'alma,
Presente melhor em forma de música.
Curei ao som, que tudo acalma,
Cantei de amor minhas feridas.
E ainda te ouço...pássaro da manhã,
Que me enche de esperança,
Viria parar o tempo, sentir sua alegria.
Sabe aquela essência, bálsamo ou solução,
Bebemos perfeitamente num gole.
Lembrar de um tempo, tão são.
Gotas de harmonia que chovem.
Tralhas de uma vida sob a mangueira,
Desapego. Sanar a fé e a fome com fruta pão,
Mesmo chorando, ter e ser o conforto.
Cantar o natal no karaokê, sermos solidão.
Estilhaços e fragmentos de energias,
Momentos difíceis vieram, e os sem juízo;
Todos, nos seus olhos a luz refletia;
Da Fonte, o esteio, viver o paraíso.
E mesmo quando tudo foi só alegria,
Nos demos mais mimos e trabalho,
Agregando filhotes ao dia a dia.
Refletindo sobre este ato falho,
A mente agita, mas somos mais que a ilusão,
Alguns, podem pensar apenas em carência,
Mas pergunto: Se aqui transborda coração,
Não acolher, seria estranha ciência?
Te sigo, meu farol, pelo mundo afora, aonde for.
Das artes da sua vida, quero ser o presente,
O agora, simplesmente em forma de gente, seu amor...
Natureza é naturalmente ser.
Agora, sigo a minha com certeza.
Mais simples é soltar as rédeas, confiar.
A entrega plena de ser tranquila,
Resta um tempo pra navegar...(Se)
Grande ou pequeno, será paz.
E mesmo o mundo ruindo, te espero;
Morrer o suspiro derradeiro, ainda sorrindo.

Volta e meia, existe escondida,
Orbitando na dor e estresse,
Nada suave, abre a ferida,
Tamanho juízo, rápida seria;
Ainda não quer ver o outro,
Da outra parte de si.
E desce o martelo na mesa fria.
Distante, a léguas desta gentalha.
Ensaia seu voo perfeito e solo.
Bate no peito, clama a decência !
E olho por olho, dente por dente,
Mastiga feroz da mesma violência.
Falar, aqui é comentário,
Agora, ainda parece novo;
Conectar redes em fios invisíveis,
Este experimento de unidade.
Bole diferente e intensamente,
Ou se cutuca, enganando a realidade.
Onde amigo curte e compartilha,
Kit sonho ou pura verdade?

Inspirada em ti, hoje eu fui o eterno,
Em imensas ondas perfeitas senti.
Maré cheia... o indo e vindo clareia,
Amor de canto, zumbido doce na orelha.
Na pedra...Joguei perfume na areia
Juntas em união, dentro da sereia me vi,
A vida do infinito que espelha.
Explorar a solidão é treva, para quem vem de família italiana.
No silêncio, posso entender momentos simplesmente novos,
Como a sombra assombra a luz da persiana,
Ouvir os pássaros anula os ruídos tolos.
No delírio dual, reencontrar a paz é perceber,
Toda a onda da vida, antes retida;
Rindo na plena alegria de ser, olhar e ver,
O absoluto, eternamente na trilha.